ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE)

Como avaliar a criança com Deficiência Intelectual

Posted on: 28/08/2010

Como avaliar o aluno com deficiência? Mara Lúcia Sartoretto

A avaliação sempre foi uma pedra no sapato do trabalho docente do professor. Quando falamos em avaliação de alunos com deficiência, então, o problema torna-se mais complexo ainda. Apesar disso, discutir a avaliação como um processo mais amplo de reflexão sobre o fracasso escolar, dos mecanismos que o constituem e das possibilidades de diminuir o violento processo de exclusão causado por ela, torna-se fundamental para possibilitarmos o acesso e a permanência com sucesso dos alunos com deficiência na escola.

De início, importa deixar claro um ponto: alunos com deficiência devem ser avaliados da mesma maneira que seus colegas.

Pensar a avaliação de alunos com deficiência de maneira dissociada das concepções que temos acerca de aprendizagem, do papel da escola na formação integral dos alunos e das funções da avaliação como instrumento que permite o replanejamento das atividades do professor, não leva a nenhum resultado útil.

Nessa linha de raciocínio, para que o processo de avaliação do resultado escolar dos alunos seja realmente útil e inclusivo, é imprescindível a criação de uma nova cultura sobre aprendizagem e avaliação, uma cultura que elimine:

- o vínculo a um resultado previamente determinado pelo professor;

- o estabelecimento de parâmetros com os quais as respostas dos alunos são sempre comparadas entre si, como se o ato de aprender não fosse individual;

- o caráter de controle, adaptação e seleção que a avaliação desempenha em qualquer nível;

- a lógica de exclusão, que se baseia na homogeneidade inexistente;

- a eleição de um determinado ritmo como ideal para a construção da aprendizagem de todos os alunos.

Numa escola onde a avaliação ainda se define pela presença das características acima certamente não haverá lugar para a aceitação da diversidade como inerente ao ser humano e da aprendizagem como processo individual de construção do conhecimento. Numa educação que parte do falso pressuposto da homogeneidade não há espaço para o reconhecimento dos saberes dos alunos, que muitas vezes não se enquadram na lógica de classificação das respostas previamente definidas como certas ou erradas.

O que estamos querendo dizer é que todas as questões referentes à avaliação dizem respeito à avaliação de qualquer aluno e não apenas das pessoas com deficiências. A única diferença que há entre as pessoas ditas normais e as pessoas com deficiências estão nos recursos de acessibilidade que devem ser colocados à disposição dos alunos com deficiências para que possam aprender e expressar adequadamente suas aprendizagens. Por recursos de acessibilidade podemos entender desde as atividades com letra ampliada, digitalizadas em Braille, os interpretes, até uma grande gama de recursos da tecnologia assistida hoje já disponíveis, enfim, tudo aquilo que é necessário para suprir necessidades impostas pelas deficiências, sejam elas auditivas, visuais, físicas ou mentais.

Neste contexto, a avaliação escolar de alunos deficientes ou não, deve ser verdadeiramente inclusiva e ter a finalidade de verificar continuamente o conhecimento que cada aluno possui, no seu tempo, por seus caminhos, com seus recursos e que leva em conta uma ferramenta muito pouco explorada que é a co-aprendizagem.

Nessa mudança de perspectiva, o primeiro passo talvez seja o de nos convencermos de que a avaliação usada apenas para medir o resultado da aprendizagem e não como parte de um compromisso com o desenvolvimento de uma prática pedagógica comprometida com a inclusão, e com o respeito às diferenças é de muito pouca utilidade, tanto para os alunos com deficiências quanto para os alunos em geral. .

De qualquer modo, a avaliação como processo que contribui para investigação constante da prática pedagógica do professor que deve ser sempre modificada e aperfeiçoada a partir dos resultados obtidos, não é tarefa simples de ser conseguida.Entender a verdadeira finalidade da avaliação escolar só será possível quando tivermos professores dispostos a aceitar novos desafios, capazes de identificar nos erros pistas que os instiguem a repensar seu planejamento e as atividades desenvolvidas em sala de aula e que considerem seus alunos como parceiros, principalmente aqueles que não se deixam encaixar no modelo de escola que reduz o conhecimento à capacidade de identificar respostas previamente definidas como certas ou erradas.

Segundo a professora Maria Teresa Mantoan, a educação inclusiva preconiza um ensino em que aprender não é um ato linear, continuo, mas fruto de uma rede de relações que vai sendo tecida pelos aprendizes, em ambientes escolares que não discriminam, que não rotulam e que oferecem chances de sucesso para todos, dentro dos interesses, habilidades e possibilidades de cada um. Por isso, quando apenas avaliamos o produto e desconsideramos o processo vivido pelos alunos para chegar ao resultado final realizamos um corte totalmente artificial no processo de aprendizagem.

Pensando assim temos que fazer uma opção pelo que queremos avaliar: produção ou reprodução. Quando avaliamos reprodução, com muita freqüência, utilizamos provas que geralmente medem respostas memorizadas e comportamentos automatizados. Ao contrario, quando optamos por avaliar aquilo que o aluno é capaz de produzir, a observação, a atenção às repostas que o aluno dá às atividades que estão sendo trabalhada, a análise das tarefas que ele é capaz de realizar fazem parte das alternativas pedagógicas utilizadas para avaliar.

Vários instrumentos podem ser utilizados, com sucesso, para avaliar os alunos, permitindo um acompanhamento do seu percurso escolar e a evolução de suas competências e de seus conhecimentos. Um dos recursos que poderá auxiliar o professor a organizar a produção dos seus alunos e por isso avaliar com eficiência é utilizar um portfólio.

A utilização do portfólio permite conhecer a produção individual dos alunos e analisar a eficiência das práticas pedagógicas do professor. A partir da observação sistemática e diária daquilo que os alunos são capazes de produzir, os professores passam a fazer descobertas a respeito daquilo que os motiva a aprenderem, como aprendem e como podem ser efetivamente avaliados.

No caso dos alunos com deficiências, os portfólios podem facilitar a tomada de decisão sobre quais os recursos de acessibilidade que deverão ser oferecidos e qual o grau de sucesso que está sendo obtido com o seu uso. Eles permitem que tomemos conhecimento não só das dificuldades, mas também das habilidades dos alunos, para que, através dos recursos necessários, estas habilidades sejam ampliadas.

Permitem, também, que os professores das classes comuns possam contar com o auxílio do professor do atendimento educacional especializado, no caso dos alunos que freqüentam esta modalidade, no esclarecimento de dúvidas que possam surgir a respeito da produção dos alunos.

Quando utilizamos adequadamente o portfólio no processo de avaliação podemos:

- melhorar a dinâmica da sala de aula consultando o portfólio dos alunos para elaborar as atividades:

- evitar testes padronizados;

- envolver a família no processo de avaliação;

- não utilizar a avaliação como um instrumento de classificação;

- incorporar o sentido ético e inclusivo na avaliação;

- possibilitar que o erro possa ser visto como um processo de construção de conhecimentos que dá pistas sobre o modo cada aluno está organizando o seu pensamento;

Esta maneira de avaliar permite que o professor acompanhe o processo de aprendizagem de seus alunos e descubra que cada aluno tem o seu método próprio de construir conhecimentos, o que torna absurdo um método de ensinar único e uma prova como recurso para avaliar como se houvesse homogeneidade de aprendizagem.

Nessa perspectiva, entendemos que é possível avaliar, de forma adequada e útil, alunos com deficiências. Mas, se analisarmos com atenção, tudo o que o que se diz da avaliação do aluno com deficiência, na verdade serve para avaliar qualquer aluno, porque a principal exigência da inclusão escolar é que a escola seja de qualidade – para todos! E uma escola de qualidade é aquela que sabe tirar partido das diferenças oportunizando aos alunos a convivência com seus pares, o exemplo dos professores que se traduz na qualidade do seu trabalho em sala de aula e no clima de acolhimento vivenciado por toda a comunidade escolar.

Fonte: http://cemaeeaparecida.blogspot.com/2010/08/como-avaliar-crianca-com-deficiencia.html

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30 Respostas to "Como avaliar a criança com Deficiência Intelectual"

Muito bom!!!
Permita-me utilizar seu texto em atividades pedagógica com o professor,
Obrigada,
Francisca

Olá Francisca,
todo o material postado aqui no blog pode e deve ser divulgado! Portanto, use a vontade em atividades pedagógicas e onde mais achar válido.
abç,
Angélica

Olá,

Gostaria de entender melhor a avaliação de crianças e adolescentes especiais, mas especialmente aqueles que têm deficiência intelectual, pois temos alunos no 2º ano do Ensino Fundamental de nove anos, os quais estão com 10 anos ou mais e no que tange ao conteúdo, têm um tempo de aprendizagem aquém dos demais, porém progrediram ao longo do ano, mas para aprová-los, embora a teoria diga que não, na prática precisam de avaliações quantitativas para registro no diário. Preciso de ajuda.

Olá,
obrigada por sua visita e comentário no blog!
Acredito que os materiais que constam na categoria Avaliação podem te ajudar a esclarecer esta dúvida!
É preciso que a equipe pense em formas de avaliar estes de alunos de acordo com o que tem sido trabalhado com eles e com os objetivos traçados.
Se na sua escola tiver o Atendimento Educacional Especializado, o professor especialista pode ajudar neste aspecto, pensando na avaliação juntamente com o professor da sala regular e com a coordenação.
Boa sorte,
Angélica

Olá Angélica!
Parabéns pela matéria e gostaria muito de receber se possível ajuda em relação a avaliação de pessoas com deficiência intelectual. Pois trabalho em uma sala com alunos DI e ainda estou um pouco perdida nesse assunto. É o primeiro ano de trabalho com essa clientela.

Grata.

Olá Marizete,
na categoria Avaliação, no blog, você encontra materiais que podem te ajudar!
Alguns são publicações do MEC e tem coisas muito interessantes!
abç,
Angélica

[...] Como avaliar a criança com Deficiência Intelectual agosto, 2010 6 comentários 4 [...]

Muito bom
Este texto vai ajudar muito o professor.Tanto da sala comum , como ao professor da sala de Atendimento Educacional Especializado.
A avaliação não é para medir conhecimentos ,é através dela que o professor percebe o que o aluno aprendeu ,mudando sua prática pedagógica a partir dos resultados alcançados.

Muito bom
Este texto vai ajudar muito o professor.Tanto da sala comum , como ao professor da sala de Atendimento Educacional Especializado.
A avaliação não é para medir conhecimentos ,é através dela que o professor percebe o que o aluno aprendeu ,mudando sua prática pedagógica a partir dos resultados alcançados.
abc
lucia neide

Olá,
obrigada por sua visita e comentário.
Este material é mesmo muito bom e tem outros sobre o assunto que são tão interessantes quanto ele!
abç,
Angélica

oi Angelica, parabens pelo texto, ta muito bom.
Eu gostaria muito que você me ajudasse com modelos de avaliação para alunos com deficiencia intelectual pois, apesar da experiencia na area ainda tenho muita dificudade.

Olá,
obrigada pela visita e comentário no blog.
Sobre avaliação de DI, consulte os materiais postados nas categorias “Avaliação” e “Plano de Desenvolvimento Individual – PDI”.
Espero que lhe ajudem!
abç,


Angélica

Olá
Gostaria de saber como é realizada a avaliação de um aluno para frequente o AEE. No caso da deficiencia intelectual, a valiação é realizada por responsaveis da educação especial ou são necessarios relatorios e/ou diagnosticos medicos?

Obrigada

Olá,

obrigada pela visita e comentário no blog!
Sobre sua pergunta, na verdade, os requisitos para frequência no AEE podem variar de um município para outro, sendo que alguns exigem laudo/diagnóstico e outros atendem alunos com suspeita de deficiência, mesmo sem laudo. Nestes casos, o aluno pode ser avaliado pelos profissionais da equipe de educação especial, como o professor do AEE por exemplo, e se a suspeita permencer o mesmo deverá ser encaminhado para avaliação na área da saúde, tendo em vista que o laudo é emitido pela saúde e não pela educação.

abç,
ANGÉLICA

Muito bom o texto. Trabalho no Atendimento Educacional Especializado da minha escola e vou repassar esse texto às professoras da classe comum; vai ajudar muito. Parabéns pelo seu trabalho.

Olá Sheila,

obrigada pela visita e comentário no blog!
abç,
ANGÉLICA

bom! trabalho com o atendimento Educacional Especializado da minha escola, e amei seu texto e suas explicações. E muito bom ter com quem tirar duvidas , muito obrigada e amei seu trabalho. obrigada.

Olá Maria José,

obrigada pela visita e comentário no blog. É sempre bom ajudar.

abç,
ANGÉLICA

Gostei do material.Com certeza ajudará nos meus atendimentos.

Olá Soraya,

obrigada pela visita e comentário no blog.

abç,
ANGÉLICA

gostei muito do seu blog

Olá,

obrigada pela visita e comentário no blog.

abç,
ANGÉLICA

gostaria de receber um relatorio final para deficiencia intelectual grave

Olá Elma,

obrigada pela visita e comentário no blog.
Os relatórios finais dos alunos devem ser feitos pelos próprios professores, após a avaliação durante todo o ano.
O que temos no blog, e você pode consultar, são modelos de itens que podem constar no relatório.

abç,
ANGÉLICA

Gostei muito!
O texto “Como avaliar a criança com Deficiência Intelectual” é claro, objetivo e nos ajuda na reflexão com professores, na formação e assessoramento na elaboração da proposta pedagógica: práticas educativas e socioeducativas, estratégias e atividades pedagógicas (conteúdos curriculares ou não),tipo de abordagem, pensando não somente na inclusão mas, sobretudo, no avanço e na aprendizagem dos que apresentam ou não dificuldades, observando o perfil e as especificidades (demandas) de cada criança/adolescente.
Abraços
Francineide Cândido

Olá Francineide,

obrigada pela visita e comentário no blog!

abç,
ANGÉLICA

Parabéns Angélica, seu Blog é tudo que nós professores, especialmente do AEE precisamos para aliviar nossas angústias pela falta de informação sobre as diversas áreas relacionadas ao nosso trabalho. O texto é pertinente ás mudanças impostas pela falência da educação que insiste em persistir em seus métodos obsoletos.Obrigada por disponibilizar conteúdo tão rico. Um grande abraço.

Olá Márcea,

obrigada pela visita e comentário no blog!

abç,
ANGÉLICA

Olá!
Gostei muito da abordagem do texto, o portfólio é um instrumento importante para observamos os avanços dos alunos, principalmente alunos com deficiência intelectual, onde são desconsiderados na avaliação em seus tempos e ritmos de aprendizagens. A avaliação deve ser utilizada para o professor repensar a sua prática em prol ao aprendizado de todos os alunos, para que verifiquem o que o aluno já sabe e o que ainda precisa aprender, dos objetivos que se pretende alcançar.

Olá Maria Rita,

obrigada pela visita e comentário no blog!

abç,
ANGÉLICA

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