ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE)

Os fundamentos das deficiências e síndromes: DI e TGD

Posted on: 02/05/2010

Deficiência intelectual

"Ajudou no meu trabalho perceber que o Benjamin  precisa visualizar. Ele entende mais diante de  situações concretas."  Roseléia Blecher, professora da Nova Escola Judaica Bialik Renascença, em São Paulo, onde  estuda Benjamin Saidon, 15 anos,  com síndrome de Down. Foto: Marcelo Min• Definição: funcionamento intelectual inferior à média (QI), que se manifesta antes dos 18 anos. Está associada a limitações adaptativas em pelo menos duas áreas de habilidades (comunicação, autocuidado, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções acadêmicas, lazer e trabalho). O diagnóstico do que acarreta a deficiência intelectual é muito difícil, englobando fatores genéticos e ambientais. Além disso, as causas são inúmeras e complexas, envolvendo fatores pré, peri e pós-natais. Entre elas, a mais comum na escola é a síndrome de Down.

SÍNDROME DE DOWN
• Definição: alteração genética caracterizada pela presença de um terceiro cromossomo de número 21. A causa da alteração ainda é desconhecida, mas existe um fator de risco já identificado. “Ele aumenta para mulheres que engravidam com mais de 35 anos”, afirma Lília Maria Moreira, professora de Genética da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
• Características: além do déficit cognitivo, são sintomas as dificuldades de comunicação e a hipotonia (redução do tônus muscular). Quem tem a síndrome de Down também pode sofrer com problemas na coluna, na tireoide, nos olhos e no aparelho digestivo, entre outros, e, muitas vezes, nasce com anomalias cardíacas, solucionáveis com cirurgias.
• Recomendações: na sala de aula, repita as orientações para que o estudante com síndrome de Down compreenda. “Ele demora um pouco mais para entender”, afirma Mônica Leone Garcia, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. O desempenho melhora quando as instruções são visuais. Por isso, é importante reforçar comandos, solicitações e tarefas com modelos que ele possa ver, de preferência com ilustrações grandes e chamativas, com cores e símbolos fáceis de compreender. A linguagem verbal, por sua vez, deve ser simples. Uma dificuldade de quem tem a síndrome, em geral, é cumprir regras. “Muitas famílias não repreendem o filho quando ele faz algo errado, como morder e pegar objetos que não lhe pertencem”, diz Mônica. Não faça isso. O ideal é adotar o mesmo tratamento dispensado aos demais. “Eles têm de cumprir regras e fazer o que os outros fazem. Se não conseguem ficar o tempo todo em sala, estabeleça combinados, mas não seja permissivo.” Tente perceber as competências pedagógicas em cada momento e manter as atividades no nível das capacidades da criança, com desafios gradativos. Isso aumenta o sucesso na realização dos trabalhos. Planeje pausas entre as atividades. O esforço para desenvolver atividades que envolvam funções cognitivas é muito grande e, às vezes, o cansaço faz com que pareçam missões impossíveis para ela. Valorize sempre o empenho e a produção. Quando se sente isolada do grupo e com pouca importância no trabalho e na rotina escolares, a criança adota atitudes reativas, como desinteresse, descumprimento de regras e provocações.

TGD

"Trocando experiências com colegas,  descobri novas maneiras de ensinar   o Matheus. E, quando percebi que  ele aprendia, nunca mais dei sossego a ele."

• Definição: os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) são distúrbios nas interações sociais recíprocas, com padrões de comunicação estereotipados e repetitivos e estreitamento nos interesses e nas atividades. Geralmente se manifestam nos primeiros cinco anos de vida.

AUTISMO
• Definição: transtorno com influência genética causado por defeitos em partes do cérebro, como o corpo caloso (que faz a comunicação entre os dois hemisférios), a amídala (que tem funções ligadas ao comportamento social e emocional) e o cerebelo (parte mais anterior dos hemisférios cerebrais, os lobos frontais).
• Características: dificuldades de interação social, de comportamento (movimentos estereotipados, como rodar uma caneta ou enfileirar carrinhos) e de comunicação (atraso na fala). “Pelo menos 50% dos autistas apresentam graus variáveis de deficiência intelectual”, afirma o neurologista José Salomão Schwartzman, docente da pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Alguns, porém, têm habilidades especiais e se tornam gênios da informática, por exemplo.
• Recomendações: para minimizar a dificuldade de relacionamento, crie situações que possibilitem a interação. Tenha paciência, pois a agressividade pode se manifestar. Avise quando a rotina mudar, pois alterações no dia a dia não são bem-vindas. Dê instruções claras e evite enunciados longos.

SÍNDROME DE ASPERGER
• Definição: condição genética que tem muitas semelhanças com o autismo.
• Características: focos restritos de interesse são comuns. Quando gosta de Matemática, por exemplo, o aluno só fala disso. “Use o assunto que o encanta para introduzir um novo”, diz Salomão Schwartzman.
• Recomendações: as mesmas do autismo.

SÍNDROME DE WILLIAMS
• Definição: desordem no cromossomo 7.
• Características: dificuldades motoras (demora para andar e falta de habilidade para cortar papel e andar de bicicleta, entre outros) e de orientação espacial. Quando desenha uma casa, por exemplo, a criança costuma fazer partes dela separadas: a janela, a porta e o telhado ficam um ao lado do outro. No entanto, há um interesse grande por música e muita facilidade de comunicação. “As que apresentam essa síndrome têm uma amabilidade desinteressada”, diz Mônica Leone Garcia.
• Recomendações: na sala de aula, desenvolva atividades com música para chamar a atenção delas.

SÍNDROME DE RETT
• Definição: doença genética que, na maioria dos casos, atinge meninas.
• Características: regressão no desenvolvimento (perda de habilidades anteriormente adquiridas), movimentos estereotipados e perda do uso das mãos, que surgem entre os 6 e os 18 meses. Há a interrupção no contato social. A comunicação se faz pelo olhar.
• Recomendações: “Crie estratégias para que esse aluno possa aprender, tentando estabelecer sistemas de comunicação”, diz Shirley Rodrigues Maia, da Ahim-sa. Muitas vezes, crianças com essa síndrome necessitam de equipamentos especiais para se comunicar melhor e caminhar.

Quer saber mais?

CONTATOS
Associação de Amigos do Autista (AMA)www.ama.org.br
Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD)www.aacd.org.br
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae)www.apaebrasil.org.br
Associação Educacional para Múltipla Deficiênciawww.ahimsa.org.br
Associação Quero-Querowww.projetoqueroquero.org.br
Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic)www.derdic.pucsp.com.br
Fundação Dorina Nowill para Cegoswww.fundacaodorina.org.br
Fundação Selmawww.fund-selma.org.br
Instituto de Educação para Surdos (Ines)www.ines.gov.br
Laramara – Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visualwww.laramara.org.br

FILMOGRAFIA
Vermelho como o Céu
, Cristiano Bortone, 95 min., Califórnia Filmes, tel. (11) 3048-8444

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/aprender-superar-511027.shtml?page=2

21 Respostas to "Os fundamentos das deficiências e síndromes: DI e TGD"

boa tarde!
Ficaríamos muito honrados se no item “quer saber mais” a ABSW -Associação Brasileira da Sindrome de Williams estivesse na relação, pois somos oficialmente a entidade que representa este grupo de pessoas maravilhosas.

Grata
membro da Diretoria/voluntária

Bom dia, ficaria satisfeita se tivesse mais imformações sobre o que é tgd, as deficiencias que ela representa, tudo o que possa tirar minhas dúvidas sobre esta especialidade.

Olá Maria Silda,
no blog há materiais publicados sobre o assunto. Dê um pesquisada para selecionar as informações que lhe interessam!
abç,
Angélica

Boa noite,

Gostaria imensamente de obter informações e sugestões de atividades para ser usada em consultorio Psicopedagógico com crianças que tem Disturbio de Migração Neuronal ( – Agenesia total e parcial de corpo caloso ).

Agradeço antecipadamente!
Grande abraço!

Olá Paula,
sempre que pensamos em realizar algum trabalho com crianças portadoras de NEE, temos que avaliar as limitações e potencialidades da mesma. Portanto, é difícil sugerir atividades sem conhecer a criança e seu histórico.
No entanto, vou te indicar dois blogs, onde talvez possa encontrar um norte para o seu trabalho.
Boa sorte!
Angélica

http://reginapironatto.blogspot.com/2009/03/por-que-crianca-nao-aprende-na-escola.html

http://carminatimaricato.blogspot.com

GOSTARIA DE FAZER CURSOS RAPIDOS DE TGD,AUTISMO,ONDE POSSO ENCONTRAR. SOU DE SAO PAULO. OBRIGADA CLEUZA

Olá Cleusa,
esses cursos não são tão divulgados, portanto é preciso pesquisar. Mas você pode acessar sites como o da AMA, da APAE e também procurar em sites de busca como o google.
Procurarei divulgar no blog aqueles aos quais eu tiver acesso. Fique de olho!
abç,
Angélica

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Olá,
Olha sou professora, e só de uma passada aprendí muito aqui, vou voltar, certamente! O seu Blog é tudo de bom, é mais que isso… é essencial!
Que Deus ilumine você!

Olá,

obrigada pela visita e comentário no blog!

abç,
Angélica

oi gostaria de fazer curso em tgd o mais rapido possivel onde posso encontra com confiaça?
obrigada FLAVIA LUCIANA
MONTES CLAROS / MINAS GERAIS

Contatos para o curso de TGD E e outros cursos das áreas de saúde e educação, podem ser feitos com Rode Alves e-mail: rodeaoliveira@yahoo.com.br (38)3223-8375 (38)9157-5830/Tim

Em Montes Claros voce pode fazer o curso com o instituto Dominus, eu fiz e adorei. Já estou trabalhando na área.
38 32221933.

como faço a inscriçao … preciso saber ! TGD

Olá Bruna,

a que se inscrição você se refere?

abç,
ANGÉLICA

parabêns!!!

Olá Laura,
obrigada pela visita e comentário no blog!

abç,
ANGÉLICA

olá Angélica, sou professora do AEE( escola estadual) e do Atendimento Pedagógico em um Centro de reabilitação.O que mais me deixa angustiada é que no centro a orientação da surpevisora é trabalhar os aspectos da leitura e escrita.Os alunos que atendo são:Deficiencia Intelectual,TDH,Dificuldade de aprendizagem e síndrome de dawn.Não seria mais interessante trabalhar as habilidades de cada um.

Olá Ariani,
obrigada pela visita e comentário no blog!
Se os alunos tem condições para desenvolver atividades de leitura e escrita, vá em frente. Mas como você mesma colocou, é preciso trabalhar respeitando as habilidades de cada um. Por isso, é importante fazer uma avaliação detalhada antes de planejar as atividades.
Boa sorte,
ANGÉLICA

Estou na direção de uma escola e gostaria de saber qual é ametragem por aluno TGD e DI. Obrigada

Olá Mary,

obrigada pela visita e comentário no blog!
Não entendi a sua pergunta!

abç,
ANGÉLICA

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SER DIFERENTE É NORMAL!

síndrome de down

VIVA A DIVERSIDADE!

Imagem retirada de: http://trocandoideiassobreportadoresdedm.blogspot.com/2007_04_01_archive.html

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